Eduard Henry

Eduard Henry

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Heróis e Natal

Hoje, ao falar com uma amiga no MSN (a Dayane), confidenciei sobre minhas melancolias sobre o Natal. Ela me fez pensar em muitas coisas, especialmente sobre as coisas boas que vêem junto de Noel.
Em uma certa época em minha igreja, o Pastor só faltava exorcizar o “bom velinho”, criticava todos que tinham sua imagem, todos que usavam da imagem dele para representar o Natal. Coisa pequena, perto de um mundo que tem tantas outras prioridades.
Penso na importância sociológica do Santa Claus, ele é o herói que melhor representa o espelho da sociedade mundial. Em qualquer sociedade do globo existe uma personalidade que se assemelhe ao Papai Noel. Em algumas partes do mundo ele se chama Sinterklass, outros, Père Noel, é também conhecido como Hoteiosho, Sonnerklass, Father Christmas, Jelly Belly, entre tantos.
O seu nome verdadeiro é Nicolau, que significa Vitorioso. Nasceu aproximadamente no ano 280 d.C., onde hoje é a Turquia. Estudou filosofia grega e doutrina cristã. Recebeu o título de Bispo de Myra. Foi reconhecido pela história como santo, no entanto, se meteu em diversas encrencas ao longo de sua vida, foi preso por pelo menos 3 vezes.
Nunca se casou (nessa época os clérigos não eram proibidos de casar). Mas, se compadeceu de um vizinho pobre que tinha 3 filhas e ajudava sempre a essas moças. Diz a história que ele ajudou as moças a juntarem dinheiro para pagar o dote para que pudessem se casar. São Nicolau dirigiu-se sorrateiramente até a casa do vizinho durante a noite e despejou um punhado de moedas de ouro pela janela a fim de que a filha mais velha conseguisse um marido. Fez o mesmo para as outras duas.
Essa história foi a semente que, regada ao longo dos anos, transformou-se na lenda do Papai Noel. A história propagou-se mais que a árvore de natal. O punhado de moedas transformou-se em um saco de moedas, ao invés de despejá-las pela janela despejava pela chaminé, e, ao invés de caírem no chão, caíam nas meias que as moças colocavam na lareira para secar. Ao longo dos anos seus atos e trajes tornaram-se cada vez mais sofisticados. A história dizia que o bispo usava os tradicionais trajes sacerdotais, era magro, tinha barba escura e personalidade discreta.
Em torno de 1300 alguém o pintou de barba branca, nos anos 1800 acresceu uma proeminente barriga e uma cesta de alimentos no braço. Depois vieram as botas pretas, traje vermelho e um gorro. Em meados do século XIX a cesta de alimento tornou-se um saco de brinquedos. Em 1931 passou a se parecer com uma garrafa de Coca-cola.
O Papai Noel reflete os sonhos dos povos do mundo inteiro, tornou-se a combinação de tudo o que almejamos: companheiro leal, amigo das crianças, um sábio, um pai bondoso, entre outros. Era o protótipo perfeito de um herói mundial, no entanto, ele frustra a mais humilde de nossas expectativas. Ele não está sempre conosco, ele vai embora, e demora pra voltar. Quando chega a conta dos presentes em Janeiro, ele não mais está. Quando chegam as provas de Abril ele não esta lá pra ajudar, nas gripes de Maio a Agosto ele não se encontra, no cansaço do mês de Outubro ainda falta muito tempo pra ele chegar, ou seja, ele não é Emanuel. Mesmo quando chega por meados de novembro até o dia 25 de Dezembro, ele traz os presentes mas, não leva muita coisa, não leva o mistério da morte, não leva o fardo de nossos erros, a ansiedade das nossas responsabilidades, ele é bondoso, afável e gracioso, mas, não trata de nossas feridas.
Nossos heróis geralmente são assim. Poderosos, perfeitos, infalíveis, mas, não estão por aí, sempre que precisamos. A sociedade glorifica as Madres Terezas, as Ladies Dianas, os Ayrton Sennas, Michael Jacksons, Elvis, Lennon, Chê, Marx ou Superman, são os heróis que ela mesmo produziu, mas que não conseguem salvar toda a humanidade porque a própria humanidade está deturpada, logo, os heróis que saem dela também são deturpados.
Por isso foi necessário que Deus enviasse o herói perfeito, não nos nossos moldes, mas nos Seus moldes. Esse sim teria poder de vencer a morte e salvar a humanidade, esse sim poderia curar as feridas da alma, esse herói poderia ser chamado de Emanuel... o Deus Conosco.

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