Eduard Henry

Eduard Henry

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O LIVRO DE ELI

Faz um bom tempo que não assisto a um filme bom como este. Ele dá aquela sensação de ter de assistir novamente para poder sugar todos os detalhes possivelmente perdidos.


Em um futuro pós apocalíptico onde a Terra foi devastada e restam poucos por aí para contar história. Até aí existem dúzias de filmes com esse enredo, de Mad Max a Matrix. E o que torna o Livro de Eli diferente? Várias coisas.

Primeiro temos Denzel Washington. Competente como sempre, é um dos poucos atores que faz da coreografia da luta, uma dança sem parecer circense. Poderia ser um Batman Ano Um se lutasse às sombras e tivesse um cinto de utilidades e mascara com orelhas pontudas.

O bom e velho Denzel, no papel de Eli, está perambulando há 30 invernos, vendo dia após dia desolação e anarquia. O cenário por onde passa mostra a devastação possivelmente causada por uma guerra. Não existem meios de comunicação, locomoção precária, canibalismos e água potável vale ouro. Aliás, não existe moeda. Voltamos ao tempo do escambo e para conseguir algo, só na base da troca. Qualquer coisa pode ter seu valor.

Ao se encontrar em um vilarejo ao melhor estilo “velho oeste”, o chefão da cidade descobre que Eli possui algo muito valioso: um livro. Detalhe: poucas pessoas sabem ler neste futuro, afinal são 30 anos pós devastação e já existe uma geração rodando por aí. Portanto para aqueles que sobreviveram ao holocausto e continuam vivos após este tempo todo, a leitura é algo poderoso.

Tal vila é uma verdadeira terra de ninguém, um bando de brigões, um boteco sujo e alguém que faz sua própria lei, no caso, Carnegie (O também impecável Gary Oldman). Ele está exatamente em busca de algo muito valioso e que dará muito poder ao seu detentor: um livro.

O livro que Eli carrega não é um simples exemplar de O Código da Vinci (como faz menção no próprio filme). É algo muito mais poderoso. Ele traz consigo a última edição da Bíblia Sagrada. Este é ponto que faz a maior diferença dentre qualquer outro filme do gênero. A história não se preocupa em contar o que se passou até ali. O importante é como será o futuro. Você se encarrega de presumir o resto.

Tratar a Bíblia Sagrada como objeto de poder pode não ser o melhor foco, mas sim o uso de sua palavra. Existem os críticos radicais que podem apontar como influenciador ou tendencioso, mas o certo é que se trocarmos por outra escritura sagrada importante, como o Alcorão ou a Torá , o efeito é o mesmo.

Dentre as várias referências históricas que são possíveis de se detectar, uma delas me chamou a atenção. A Bíblia foi o primeiro livro impresso por Gutemberg. Sabendo disso, preste atenção ao final do filme. Vale apena destacar ainda a beleza insofismável de Mila Kunis (uma perfeita sucessora de Angelina Jolie). Assistam, analisem, reflitam, é um ótimo filme.

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