Eduard Henry

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Memória, oralidade e escolarização: os discursos produzidos sobre práticas escolares, relações afetivas e sociabilidade na escola confessional batista Graciosa (1981-2000)



Eduard Henry Lui (UFPR) - eduardhenry@hotmail.com


Eixo temático: História e historiografia da educação, instituições confessionais.

Michel de Certeau (2006) afirma que o historiador trabalha em cima de um material para transformá-lo em história, em discurso. Pode-se corroborar esta afirmativa pela observação de práticas e costumes sociais, atribuindo-lhes certo significado quanto a hábitos e comportamentos, ou mesmo compreendendo certas permanências. Nestes termos, o presente trabalho tem por objetivo refletir sobre os usos da memória no processo de construção do discurso histórico sobre as vivências na Escola Graciosa, instituição confessional protestante de educação básica, de origem leta, situada na cidade de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, desde 1981. O recorte cronológico de fundação da escola torna indispensável as considerações dos pressupostos que concernem aos domínios da história do tempo presente (RÉMOND, 2006) e de sua respectiva contextualização histórica no processo de reabertura democrática que marcou a historiografia brasileira neste momento. Por sua vez, a metodologia da história oral (THOMPSON, 2002; PORTELLI, 2010) fundamenta a criação de um acervo de depoimentos que contrapõem narrativas de experiências vividas pela comunidade discente e por professores e gestores escolares. Assim, para além de uma história institucional, e cabendo aos artifícios da memória as bases para a construção do discurso histórico e da identidade (LE GOFF, 2013; Halbwachs, 2004; CANDAU, 2012), cabe verificar quais práticas e costumes sociais, selecionados pela narrativa mnemônica, estiveram presentes no discurso sobre as experiências de vida no espaço escolar da Graciosa, privilegiando-se não somente as recordações sobre as práticas escolares, mas também as relações afetivas e de sociabilidade desenvolvidas neste lugar. Quais similaridades e dissonâncias há entre os discursos produzidos sobre as memórias desta instituição de ensino? Como se produzem os discursos sobre comportamentos de adaptação e desvio de normas na escola cuja orientação pedagógica preservou a disciplina rígida, de base educacional batista? Como os usos da memória, a partir deste estudo de caso, podem contribuir para a compreensão do conhecimento em história da educação no referido período? Desta forma, como proposta desenvolvida em âmbito de dissertação de mestrado, e retomando a afirmativa de Michel de Certeau, verifica-se como práticas e costumes sociais se fizeram presentes nas experiências de vivências da Escola Graciosa, ressignificando hábitos e comportamentos sociais pelas memórias de sua comunidade escolar. 


Palavras-chave: Memória; História oral; Cultura escolar; Educação batista; Escola Graciosa

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